Nos últimos anos, cresceu no Brasil um modelo de seguro pouco convencional: o seguro por quilometragem, também chamado de seguro por uso. A proposta é simples — quanto menos o carro roda, menos o segurado paga. Mas será que esse modelo realmente compensa para todo mundo, ou só faz sentido para perfis bem específicos?

Este guia explica como funciona o seguro por quilometragem, para quem ele é mais indicado e quais os principais pontos de atenção antes de contratar.
Como Funciona o Seguro por Quilometragem
Diferente do seguro tradicional, com valor fixo independente do quanto o carro roda, o seguro por quilometragem ajusta o valor cobrado com base na distância percorrida em um determinado período. O acompanhamento é feito por meio de um dispositivo de telemetria instalado no veículo ou vinculado a um aplicativo, que registra a quilometragem rodada e, em alguns casos, também o comportamento do motorista ao volante.
Para Quem Esse Tipo de Seguro Faz Mais Sentido
- Motoristas que usam o carro poucas vezes por semana: quem trabalha em home office ou usa mais transporte público durante a semana, reservando o carro para fins de semana ou emergências.
- Segunda ou terceira família com mais de um carro em casa: veículos que ficam parados na maior parte do tempo, usados só ocasionalmente.
- Aposentados ou pessoas com rotina de pouca circulação: perfil que historicamente paga o mesmo valor de seguro que um motorista que roda todos os dias, mesmo usando muito menos o carro.
Para Quem Pode Não Compensar
- Motoristas de aplicativo ou que rodam diariamente por trabalho: nesses casos, o valor tende a ficar mais caro do que um seguro tradicional, já que a quilometragem rodada é alta.
- Quem faz viagens longas com frequência: mesmo que o uso diário seja baixo, viagens ocasionais de longa distância podem elevar bastante a quilometragem total do período.
- Pessoas que preferem não ter monitoramento constante do veículo: o modelo depende de um dispositivo de rastreamento, o que pode não agradar quem valoriza mais privacidade.
Como é Calculado o Valor do Seguro por Quilometragem
O cálculo considera, além dos fatores tradicionais (perfil do condutor, região, modelo do carro), a faixa de quilometragem contratada ou estimada para o período. Algumas seguradoras trabalham com faixas fixas (por exemplo, até 3 mil km, até 6 mil km), enquanto outras cobram de forma mais dinâmica, com ajuste mensal conforme o uso real registrado pelo dispositivo.
Vantagens do Seguro por Quilometragem
- Pode ser significativamente mais barato para quem usa pouco o carro.
- Incentiva um uso mais consciente do veículo, já que o valor está diretamente ligado à quilometragem.
- Em muitos casos, o dispositivo de rastreamento também funciona como proteção extra contra roubo e furto.
Desvantagens e Pontos de Atenção
- Exige instalação de um dispositivo de rastreamento, o que pode gerar desconforto para quem não gosta de monitoramento constante.
- Se a quilometragem contratada for ultrapassada, pode haver cobrança adicional ou necessidade de ajuste na apólice.
- Nem todas as seguradoras oferecem esse modelo, o que reduz as opções de comparação de preço.
Como Saber se Vale a Pena no Seu Caso
O primeiro passo é ter uma estimativa realista da quilometragem que você roda por mês. Anotar o uso do carro por algumas semanas, incluindo trajetos ocasionais, ajuda a ter uma base mais confiável antes de simular esse tipo de seguro. Depois, é só comparar o valor estimado com o de um seguro tradicional para o mesmo perfil e veículo.
Como Está o Mercado Desse Tipo de Seguro no Brasil
Esse modelo ainda é relativamente novo por aqui, se comparado a mercados como o europeu e o americano, onde o seguro por uso já é mais consolidado. No Brasil, algumas seguradoras vêm expandindo essa oferta principalmente em grandes centros urbanos, onde o público que trabalha em home office ou usa menos o carro no dia a dia é mais numeroso. A tendência é que, com a popularização de dispositivos de telemetria mais baratos, esse tipo de apólice fique cada vez mais acessível e comum entre as opções oferecidas pelas seguradoras tradicionais.
Perguntas Frequentes
O seguro por quilometragem é mais barato que o tradicional? Pode ser, mas depende diretamente do quanto o carro roda. Para quem usa pouco o veículo, a economia costuma ser real; para quem roda bastante, pode sair mais caro que um seguro convencional.
Preciso instalar algum equipamento no carro? Sim, a maioria das seguradoras que oferece esse modelo exige um dispositivo de telemetria, seja instalado fisicamente no veículo ou vinculado a um aplicativo no celular.
O que acontece se eu ultrapassar a quilometragem contratada? Depende da seguradora. Algumas cobram um valor adicional proporcional ao excedente, outras ajustam automaticamente a faixa de cobrança no ciclo seguinte.
Esse tipo de seguro cobre os mesmos riscos que um seguro tradicional? Sim, geralmente as coberturas (colisão, roubo, furto, terceiros) são as mesmas. A diferença está apenas na forma de cálculo do valor cobrado, baseada no uso do veículo.
Se você está comparando diferentes formas de reduzir o valor do seguro, vale também conferir nosso guia sobre seguro auto com franquia reduzida, que aborda outra estratégia comum para economizar.
Para informações oficiais sobre regulação do mercado de seguros no Brasil, consulte a SUSEP.
